Até quando o poder vai se alimentar da pobreza...da inocência...da dor?
Retrato de família
sábado, 14 de novembro de 2009
Criança mamando na mãe morta
O leite com gosto de desgraça
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Sei, que por detrás daquela janela Irei conseguir, dilatar Todo o sentimento que Deus pôde criar Vem, toda a esperança Em meu último sonho luzir Fecho os olhos, para dormir Amanhã... já não tem nada a ver
Sentado atrás da porta Tenho esperado a sua chegada a vida inteira... Acho que ela não virá Amar deve ser ir morrendo aos poucos Dormir...e não acordar mais...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Mamãe bebendo uma chícara de sangue quente...
Na derradeira primavera Plantei tristezas no jardim Colhi sempre vivas... Às vezes mortas, as esperanças Que sangram Numa hemorragia sem fim Derradeira paixão Derradeira felicidade Mórbida a mão Que colhe tamanha angústia Tamanha flor Que simplesmente não existe
domingo, 25 de outubro de 2009
Há mistérios dizem-nas em si mesmas Com ásuas bocas cheias mastigam-se elas Sê dentro o sol que brilha na manhã seguinte No varal roupas ao vento penteiam cabelos As bocas cheias de pesadelos Cospem nas ruas porque passamos...
Nas encostas da cidade, encostam-se muitos interesses, menos o da vida. A morte assim imposta numa queda, revela o lado mais covarde do poder. Esse poder que convive com lágrimas não passa de lixo, empurrando a esperança pelo abismo, consolando a desgraça que ficou. Mas dos escombros renasce a esperança, a vida que apesar de tudo sobrevive...nas encostas da cidade.
Neste agora de anti-arte, onde o absurdo urra o momento da diretriz nenhuma, raríssimas são as luzes a cintilar o caminho indicado pelos gênios de todas as épocas.
Juha é uma destas raras inspirações a cintilar o canto do momento eternizado. Sua mística plástica emerge do inconsciente e se faz presente num estado de consciência onde a verdade se mostra implacável, estarrecedora.
Juha é um jovem, um jovem de espírito maduro. Tem uma vida a ser constatada. Sua arte apenas começou. Seu expressionismo atinge o rosto do real em golpes diretos que o marcam e o direcionam a simbolismos surreais. Lembrando bastante Empsor, às vezes Bosch, outras tantas lembrando Goya.
No entanto, sempre ele mesmo. Sempre a luz potente do artista que pinta como quem ora, como quem ama. Juha, um raro alguém que não se contagiou com o vírus da inconsciência, do horrendo pairado sobre o nada. Alguém com os pés na terra e a cabeça no coração. Juha, o futuro pintor de almas, da alma do momento eternizado.
Thomaz Wartelsteimer (1986).......
Finlandês, radicado no Brasil desde 1965 e na Bahia desde 1978. Artista plástico, poeta, mestre de capoeira angola.